Hospital Regional será em Alto Horizonte

STéFANY MORAIS
Prefeitos, primeiras-damas e lideranças políticas do Norte durante reunião da Amunorte, em Alto Horizonte, decidiram mudar o local para construção do hospital

Entre a manhã e o início da tarde do sábado (9), em Alto Horizonte, na 48ª reunião da Amunorte (Associação dos Municípios do Norte), 14 dos 17 prefeitos da região que estiveram na cidade aprovaram proposta do prefeito Luiz Borges da Cruz, o Cabo Borges (PSDB), de doar R$ 10 milhões e um terreno ao governo do Estado de Goiás para a instalação do Hospital Regional no município de 4,5 mil habitantes.


Apenas o prefeito de Campinaçu, Welinton Rodrigues, o Nenzão, se absteve de votar. O encontro lotou o plenário da nova e moderna sede do Poder Legislativo local. Como se sabe, Uruaçu havia sido escolhida anteriormente pela Amunorte para sediar o complexo hospitalar, ainda na gestão do governador Alcides Rodrigues. Todavia, a obra não chegou a ser iniciada na cidade administrada pelo prefeito Lourenço Pereira Filho, o Lourencinho (PP). Ele, evidentemente, defendeu sua cidade, mas foi voto vencido.
"Nós fizemos uma proposta, não para Alto Horizonte, mas para contribuir com a Região Norte. Se qualquer município da nossa região estivesse numa situação mais cômoda do que a nossa, certamente faria o mesmo. Se o Lourencinho tivesse uma arrecadação proporcional como a nossa, ele já teria feito esse hospital. Ser prefeito, hoje, é praticamente um sacerdócio. Alguns colegas do Norte estão sofrendo para quitar a folha de pagamento. Sei da dificuldade dos nossos companheiros Adelino (de Nova Iguaçu) e Wander (de Campinorte). Eles não fazem mais por sua população porque não conseguem", discursou Cabo Borges. Segundo ele, o complexo precisa ser enquadrado no Sistema Único de Saúde (SUS) para atender a região como um todo. Borges ainda disse que poderia gastar os R$ 10 milhões apenas para um hospital municipal, mas que a proposta dele é fruto de sua vontade de atender uma necessidade que é de toda a região.
Para o prefeito de Mutunópolis, Luiz Martins de Oliveira, o Luizinho (PMDB), atual presidente da Amunorte, a proposta de Alto Horizonte abriu novo e importante debate sobre a questão do hospital. Segundo ele, embora a decisão por Uruaçu tivesse sido tomada, até agora nada aconteceu. Luizinho disse que os deputados eleitos com votos da região precisam também trabalhar nessa questão. "Precisamos desse hospital em caráter urgentíssimo. Uruaçu é até mais estratégica geograficamente, mas para essa obra sair do papel agora nós temos a tentadora proposta do Borges", comentou o presidente da Amunorte.
Médico e ex-secretário estadual de Saúde, o deputado estadual Helio de Sousa (DEM), de Goianésia, disse que o Hospital Regional é um enfrentamento que precisa ser resolvido, de fato. Segundo o deputado, a região não pode mais ficar apenas sonhando com essa importante benfeitoria. Segundo ele, a proposta de Alto Horizonte mostra que o sonho do Norte pode ser concretizado, depois de muitos anos. "Esse momento representa a ousadia da Região Norte", comentou Helio. Márcio Cecílio, presidente da AGM (Associação Goiana dos Municípios) e prefeito de São Miguel do Passa Quatro, disse que esteve em Alto Horizonte para respaldar e parabenizar a Amunorte por esse gesto de coragem do Cabo Borges para tentar resolver o problema da Saúde no Norte.
"Essa atitude de Alto Horizonte é um gesto humano do nosso irmão rico, no Estado. Não vamos esperar que a solução venha pelo governo federal", comentou o presidente da AGM. Ex-prefeito de Porangatu por dois mandatos, ex-deputado estadual e atual secretário extraordinário de Assuntos do Norte Goiano, Júlio da Retífica, também participou da grandiosa reunião da Amunorte em Alto Horizonte. Ele disse que está empenhado na criação de um Fundo Estadual de Desenvolvimento do Norte, para que mais recursos atendam às necessidades da região. Segundo Júlio, de um lado, havia Uruaçu pleiteando essa obra; do outro lado havia Porangatu que também pleiteava o hospital.
"Naquela ocasião, de forma democrática, eu e o José Osvaldo (prefeito de Porangatu, também presente na reunião) concordamos que o hospital fosse feito em Uruaçu, para que as coisas acontecessem. Mas o recurso de R$ 30 milhões não foi viabilizado e a obra não saiu. O Marconi me disse que nunca viu nenhum prefeito ir ao Palácio das Esmeraldas para oferecer dinheiro, como fez o Borges. Por isso, ele (o governador) me disse que aceita (os R$ 10 milhões) porque tem compromisso de construir esse hospital, mas que era preciso conversar com todos os prefeitos. Não dá mais para ser amanhã, era para ter sido ontem. E o recurso de Alto Horizonte já está disponibilizado pela prefeitura, para ajudar a região inteira. Temos que pensar em quantas vidas serão salvas, porque o atendimento em Goiânia, nos hospitais, está cada vez mais difícil", comentou Júlio.

José Osvaldo concordou com a mudança

Segundo o prefeito de Porangatu, José Osvaldo da Silva (PSDB), o município sob seu comando também almejava o Hospital Regional em seus domínios. De acordo com ele, o ex-governador Alcides Rodrigues jogou nos ombros dos prefeitos a responsabilidade de cuidar da Saúde nos municípios, ao não cumprir a promessa do Hospital no Norte. Na ocasião, José Osvaldo disse que, quando entrou no páreo pelo hospital, não tomou nenhuma atitude pessoal contra Uruaçu, contra o Lourenço ou contra a ex-prefeita Marisa (Araújo, que governou a cidade entre 2001 e 2008).  "Os jornais apimentam alguma coisa, mas não estamos brigando com Uruaçu pelo hospital, mas sim querendo resolver o problema. O mais difícil não é a construção e sim a manutenção. E agora estamos vendo Alto Horizonte como a única cidade em condições de ser a mantenedora desse hospital, no futuro. O meu voto, portanto, é pela instalação do hospital em Alto Horizonte", discursou José Osvaldo, sendo muito aplaudido.
Segundo o deputado federal Carlos Alberto Leréia (apoiado por Borges em sua vitoriosa campanha à reeleição na última eleição) a pujança econômica de Alto Horizonte, hoje (dada à presença da Mineração Maracá) é muito semelhante à situação verificada em Minaçu (cidade natal de Leréia) quando a cidade cresceu e se beneficiou pela extração de amianto crisotila na atual Sama Minerações Associadas, nas décadas de 70 e 80. "A proposta do Borges tem a minha simpatia, porque todos sabem a situação que o Marconi pegou o governo. E ele também disse, em suas andanças, durante a campanha, que se comprometeria em fazer o Hospital do Norte. E Alto Horizonte é a única cidade que pode fazer essa proposta, não por uma mera disputa, mas porque tem condições financeiras para isso", discursou Leréia.
Para o prefeito Cícero Romão (PSDB), de Minaçu, o discurso do prefeito Lourencinho é pertinente, porque a cidade está realmente melhor localizada do que Porangatu. A respeito da proposta de Alto Horizonte, Cícero criticou o excesso de posicionamentos políticos, pouco conclusivos; mas disse que a cidade de Cabo Borges reúne condições técnicas para abrigar o hospital. Minaçu, como se sabe, fica a 520 quilômetros de Goiânia; e a construção em Alto Horizonte reduziria pela metade o tempo de transporte para o atendimento de pacientes mais graves.

Lourenço defendeu obra em Uruaçu

Antes do veredicto final, Lourencinho adotou postura questionadora sobre a ideia de transferir o projeto do hospital para Alto Horizonte. Ele disse que, antes de desafiar ou sentir desafiado por Cabo Borges, resolveu participar do encontro na cidade como um "nortista" para defender a Região Norte. Porém, disse que a licitação para obra, em Uruaçu, já está pronta; e que a terraplenagem chegou a ser iniciada, antes do período chuvoso, ainda na gestão de Alcides. Lourenço reconheceu que  o Governo de Goiás enfrenta "gargalos financeiros" no momento atual, mas que o momento "é de pressa" para definir o local do Hospital Regional. Somente a doação do terreno ao Estado, pela Prefeitura de Alto Horizonte, demoraria 60 dias, no mínimo, segundo ele. E o recurso de R$ 10 milhões, ainda de acordo com Lourenço, só poderia ser aplicado na obra a partir de 2012.
"Em Uruaçu, a obra do hospital já está com o canteiro instalado. O Estado não tem dinheiro agora, mas o governador tem vontade política de construir. O que não podemos é decidir pelo adiamento do início da obra por mais um ano. Lá (em Uruaçu) não temos nenhum empecilho. A obra está pronta para ser começada. Se houve alguma tapeação (no governo Alcides) eu me sinto tapeado também, porque esse dinheiro deveria ter sido usado para construir o Hospital Regional. Se a obra custasse somente R$ 10 milhões, o problema já estaria resolvido. Esse valor pode representar muito, nesse início, mas significa apenas 10% do total da obra, orçada em R$ 100 milhões. Nós podemos até ter dois hospitais. Um em Uruaçu, construído pelo governo estadual; e outro em Alto Horizonte, pelas mãos do prefeito Borges", discursou Lourencinho, em tom enfático. Ele rechaçou declaração do deputado federal Carlos Alberto Leréia (PSDB) de que o ato jurídico da doação da área doada por Lourencinho para o hospital em Uruaçu não fora validado na gestão de Alcides.
Também participaram da reunião da Amunorte em Alto Horizonte os prefeitos Wander Borges (Campinorte); Adelino Serra (Nova Iguaçu de Goiás); Nilson Antonio Preto (Mara Rosa); Valdeir Feitosa (Bonópolis); Dásio Marques (Amaralina); Orcino Braga (Estrela do Norte); Denílson Severino (Formoso); Odair Justino de Souza (Novo Planalto); e Josemar Gonçalves dos Reis (Santa Tereza de Goiás).

Fonte: Jornal Diário do Norte

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